A música como fonte da juventude

Antes do post propriamente dito, um esclarecimento: Depois de três parágrafos introdutórios abortados, me contento em resumir neste que estou insatisfeito por ter deixado de escrever por mais de um ano e que voltarei a tentar registrar alguns pensamentos aqui, para gerar algo que possa preencher os momentos nostálgicos do futuro.

O ano que se passou ficará marcado na minha memória como o período em que voltei a garimpar por sons diferentes. Comecei a buscar por novidade e vigor para carregar minhas baterias através das entradas auriculares.

Um símbolo de juventude em idade avançada: Chuck Berry! Imagem retirada de: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Chuck-berry-2007-07-18.jpg

Essa resolução surgiu quando comecei a me dar conta de que sempre ouvia as mesmas coisas e que, a não ser que eu quisesse acelerar meu envelhecimento, precisava renovar meu gosto pela música. Acelerar o envelhecimento? Isso mesmo. De uns tempos para cá, comecei a notar como as pessoas, conforme vão ganhando experiência (quando se tem 23 anos e uma visão Peter Pan quanto à juventude, todo eufemismo para “envelhecer” é válido), vão deixando de descobrir músicas novas. Esse provavelmente é um dos motivos pelos quais suas tias solteiras adoram dançar Bee Gees e As Frenéticas, mas ficam com uma tremenda Poker Face quando toca Lady Gaga.

“Representação artística de sua tia solteira ouvindo Lady Gaga” Por: a Internet

Uma outra reflexão que podemos tirar da sua tia solteira, porém em outro sentido, vem do fato de que a música é capaz de nos trazer de volta à juventude. Canções que ouvíamos muito em determinadas épocas de nossa vida trazem esses tempos de volta às nossas mentes quando escutadas atualmente. Cabe aqui, porém, um alerta: para preservarmos a música como uma das maneiras de nos fazer rejuvenescer temporariamente, temos que evitar ouvir demais as canções que remetem ao passado, caso contrário, elas passarão a relembrar também os momentos nostálgicos. Digo por experiência própria.

Para aliviar um pouco a vermelhidão das orelhas de sua tia solteira, ilustrarei essa ideia com um vídeo de um senhor que é reanimado ao ouvir algumas músicas de seu tempo:

Para não me prologar e para evitar extenuá-lo, não vou ressaltar os benefícios terapêuticos da música, tampouco afirmar que ouvir música pop atual evita o surgimento de rugas ou de dores nas juntas, mas apenas sugerir que ela pode ajudar a manter nossas mentes jovens. Não no sentido de imaturidade, prepotência ou inexperiência, mas sim no inconformismo, dinamismo e entusiasmo (sim, concordo plenamente com você, Hermione Hoby).

Em suma, se você quer se manter jovem, minha dica é: coloque seus fones de ouvido e aproveite a música.

Aproveitando o assunto, compartilho os resultados de minha busca pela juventude, e também candidatas a  músicas que vão me fazer lembrar de 2011/2012 :

  • God Help the Girl: Um projeto paralelo do Stuart Murdoch, líder do Belle & Sebastian, que basicamente soa como uma combinação do som do B&S com o das girl bands dos anos 50 e 60. Destaque para o excelente vocal de Catherine Ireton, a principal vocalista do grupo. Algumas das minhas canções favoritas: God Help The Girl, I’ll Have to Dance With Cassie e Act of the Apostle.
  • Regina Spektor: O som dessa cantora/pianista, que já tem mais de 10 anos de carreira, é bem interessante e passa por diversos estilos e climas. Algumas das músicas dela que mais gosto são: Après Moi, Samson, Us, Fidelity e Lady. Seu novo disco, What We Saw from the Cheap Seats, contém algumas boas músicas, como os singles All the Rowboats e Don’t Leave Me (Ne Me Quitte Pas) (esse último é uma nova versão de uma canção de seu disco de estréia, Songs, de dez anos atrás).
  • Fiona Apple: Ouvi bastante o ótimo disco The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do. A instrumentação pouco convencional e os arranjos minimalistas, combinados com as belas melodias e com a interpretação da cantora, fazem desse álbum um dos meus favoritos do ano. Destaques: Every Single Night, Anything We Want.
  • Jack White: O Blunderbuss me surpreendeu positivamente e foi o ponto alto do meu gosto por rock nesse último período. Aí está um fortíssimo candidato ao título de melhor disco de classic rock de 2012! Algumas músicas: Freedom at 21, Sixteen Saltines, Trash Tongue Talker.
  • Sleigh Bells: A combinação de batidas eletrônicas pesadas, guitarras distorcidas e vocal feminino, apesar de soar um pouco exagerada, foi um dos sons novos que mais me interessou. As faixas que me chamaram a atenção foram Demons e Crush.
  • St. Vincent: Descobri por acaso a música Cruel e, após ouví-la repetidamente por algum tempo, logo procurei mais canções dessa cantora/guitarrista. O catálogo dela é de difícil digestão, mas contém algumas pérolas, como The Strangers, Marrow, Chloe in the Afternoon e a já citada Cruel.
  • David Byrne & St. Vincent: É difícil imaginar o que pode resultar da junção do líder do Talking Heads com Annie Clark (aka St. Vincent), mas por enquanto só tenho a dizer que Who é uma das minhas músicas favoritas no momento e que aguardo ansiosamente o disco dessa dupla.
  • Japandroids: Uma dupla que faz um rock direto e energético, com uma paixão que não escuto há um bom tempo. Gostei bastante do primeiro single de Celebration Rock, The House That Heaven Built.
  • Kimbra: Cantora que ganhou maior notoriedade devido à sua participação no hit Somebody That I Used to Know, de Gotye. Seu disco de estréia, Vows, contém algumas músicas interessantes, dentre as quais a que mais me chamou a atenção foi Cameo Lover.

E essas são algumas das minhas últimas descobertas musicais. Espero encontrar outros sons interessantes em breve, para poder registrar aqui!