Beyond Good & Evil

Depois de uma sexta-feira meio sem noção e um final de semana bem divertido (apesar de algumas pessoas pensarem exatamente o contrário), cá estou eu aqui novamente.

Pois bem, parte desse final de semana foi gasto com o jogo que nomeia este post:

Beyond Good & Evil

Beyond Good & Evil (HD), criado por Michel Ancel, pai de um dos jogos mais famosos da Ubisoft, Rayman.

O jogo é ambientado em um futuro em que animais antropomórficos coexistem com humanos, em um planeta com natureza abundante e tecnologia razoavelmente avançada, chamado Hillys. Tudo parecia tranquilo no pequeno planeta, até o aparecimento dos DomZ, uma raça alienígena que passou a abduzir os habitantes do planeta e causar pânico na população. Para controlar a situação, a Alpha Section, uma unidade militar, tomou o controle do planeta, procurando tranquilizar o povo. Apesar da aparente boa vontade da Alpha Section, um grupo rebelde, denominado IRIS Network desconfia que os militares não são tão benevolentes quanto parecem, e buscam revelar a verdade para a população.

É nessa situação que estão inseridos os principais personagens do jogo: Jade, uma jovem que se torna uma jornalista afiliada à IRIS Network, e Pey’J, seu “tio porco” (literalmente), bem versado em mecânica.

A história vai se desenrolando com os protagonistas visitando diversas localidades, buscando evidências para provar que a Alpha Section não é o que parece ser.

Em termos de game design, é difícil deixar de perceber a influência que a série Zelda exerceu sobre o jogo. Todo o desenrolar da aventura ocorre em um mundo aberto, com várias dungeons que vão sendo liberadas conforme o desenrolar da história ou com os acessórios adquiridos ao longo da jornada. Para imaginar o mundo de Beyond Good & Evil, pense em Ocarina of Time com água no lugar da planície e um hovercraft no lugar da Epona.

Essas dungeons, aliás, também lembram aquelas exploradas por Link na série da Nintendo, principalmente no que se refere ao uso dos equipamentos recém adquiridos para solucionar alguns problemas. Um dos elementos que diferencia esses jogos, entretanto, é o fato de em Beyond Good & Evil, há normalmente envolvimento de seu parceiro na solução dos puzzles.

O combate é um pouco genérico, se resumindo a button mash (quadrado, quadrado, quadrado, quadrado, win!), com ocasional acionamento de habilidades específicas do parceiro. Felizmente, o jogo não foca muito nessa característica, tendo uma jogabilidade bastante variada.

Um dos elementos interessantes é a câmera. Além dela ser utilizada para fotografar evidências, ela também age como uma mira para atirar projéteis e tem uma sidequest própria, que consiste em fotografar todos os animais do planeta, em troca de recompensas. Ela ainda serve como um leitor de código de barras em algumas seções do jogo.

Outra parte bacana é o hovercraft, que pode receber vários upgrades que permitem que áreas antes inacessíveis possam ser exploradas. Esses upgrades são comprados com pérolas, arduamente (de vez em quando, nem tanto) adquiridas ao longo da jornada. O hovercraft, além de servir como meio de transporte entre as ilhas do jogo, também é utilizado em dungeons e em minigames de corrida e perseguição.

O jogo ainda conta com alguns outros minigames e formas de jogo, como uma variação de air hockey, partes stealth e áreas  de combate espacial com naves, contando, inclusive, com um chefe digno de Star Fox.

As únicas reclamações que tenho são com relação à duração e dificuldade do jogo. Poderiam ter feito algo um pouco mais longo e desafiador. Terminei o jogo 100%, com todos os troféus, em pouco mais de 10 horas. Além disso, boa parte do jogo é fácil demais, exigindo pouca habilidade do jogador, tanto nos puzzles quanto nas sequências de ação. Outro detalhe irritante está nos ocasionais glitches, que me forçaram a repetir algumas seções.

A despeito desses pequenos defeitos, o jogo é incrível. Gostaria de agradecer muito quem teve a ideia de fazer uma versão HD desse jogo e relançar como jogo para download (por míseros 10 dólares ainda por cima).

 

Bom, por enquanto é isso. Num futuro próximo, colocarei algumas imagens para ilustrar o post. Aparentemente não gosto de terminar um post se eu não tiver que mexer nele depois.

The Beatles – Abbey Road – Lado A

Um assunto que será recorrente aqui é a música. Neste momento em específico, ando ouvindo muito Beatles, então nada mais natural do que começar escrevendo um pouco sobre o meu disco favorito deles:

The Beatles - Abbey Road

Sim, o Abbey Road! Na minha opinião, esse disco foi o magnum opus da única banda de rock tão conhecida quanto Jesus. A propósito, essa constatação sobre a fama da banda foi feita pelo próprio John Lennon, em meados de março de 1966:

“Christianity will go. It will vanish and shrink. I needn’t argue about that: I’m right, and I will be proved right. We’re more popular than Jesus Christ now; I don’t know which will go first—rock ‘n’ roll or Christianity. Jesus was all right, but his disciples were thick and ordinary. It’s them twisting it that ruins it for me.”

Três anos e alguns meses depois dessa polêmica declaração, em setembro de 1969, é lançado o Abbey Road, o último disco gravado pelos Fab Four – Lembrando que o álbum Let it be, apesar de ter sido lançado em novembro de 1970, foi composto de gravações realizadas antes da conclusão de Abbey Road.

No livro “The Beatles: Gravações Comentadas & Discografia Completa”, de Jeff Russell, é mencionado que para esse disco, os principais compositores da banda, Lennon e McCartney, divergiam de opinião quanto ao formato que o álbum deveria ter. Enquanto Lennon desejava fazer um disco de rock básico, McCartney desejava que fosse composta uma “ópera pop”, com diversas músicas que se misturavam em uma única sequência. Ouvindo o álbum, percebemos que ambos os desejos se concretizaram.

No lado A, foi aplicada a ideia de Lennon. As trilhas desse lado apresentam músicas bem trabalhadas, mas num formato mais tradicional no que se refere à transição entre as faixas.

Come Together

A música de abertura desse álbum é “Come Together”, um rock cru com um riff de baixo marcante, que se transforma em música de propaganda política no refrão… Hã? Bem, se ela não apresenta semelhança com canções do horário eleitoral, deveria parecer, já que a composição foi feita por Lennon para promover Timothy Leary em sua candidatura para o governo da Califórnia, EUA, em 1969. E o fato do candidato ter sido preso em dezembro do mesmo ano por porte de maconha não diminui o valor desse prelúdio da obra final dos Beatles. (Numa nota completamente sem propósito, gostaria de observar que, enquanto eles podiam ter “Come Together” na propaganda política, nós chegamos a ter Ey-Ey-Eymael! Morram de inveja, gringos!)

Something

Na sequência, somos brindados com uma das melhores canções do Beatle mais jovem e místico: George Harrisson. A inspiração para “Something” não é muito clara. Enquanto Pattie Boyd, ex-esposa do Beatle (antes de ser conquistada por seu amigo Eric Clapton, que compôs para ela a música Layla, presente no único disco do Derek and the Dominoes, que certamente comentarei aqui futuramente), comentou em sua autobiografia – “Wonderful Tonight”, de 2007 – que Harrisson dizia que a música foi feita para ela, o próprio negou, dizendo que pensava em Ray Charles quando escreveu a canção. Também vale notar que o verso inicial da canção, foi emprestada da música “Something in the way she moves”, do seu colega de gravadora James Taylor.

Maxwell’s Silver Hammer

A terceira música do disco é a alegre “Maxwell’s Silver Hammer”, escrita por McCartney. Apesar de seu clima leve, há uma certa pitada de humor negro na canção, que conta a estória de Maxwell Edison, estudante de medicina que assassina três pessoas com seu martelo prateado. Segundo McCartney, em entrevista concedida em 1994, a música é uma analogia para situações em que algo dá errado repentinamente. Lennon, que “detestava essa música”, afirmou para Tony King, um funcionário da gravadora Apple, que essa é uma canção a respeito da lei do carma, assim como seu single solo “Instant Karma”.

Oh Darling

Composta pelo mesmo Beatle responsável pela canção anterior do disco, “Oh Darling” é um rock direto, com vocais fortes e “desesperados”. Para alcançar o clima desejado, McCartney cantou a faixa repetidas vezes, durante uma semana, para que sua voz soásse áspera. Ao contrário da música anterior do disco, Lennon apresentou interesse em “Oh Darling”, chegando a manifestar vontade de inserir seus vocais na canção, por considerar que era mais próxima do seu estilo do que de seu colega de banda.

Octopus’s Garden

“Octopus’s Garden”, a segunda música de Ringo Starr feita para os Beatles (a primeira foi Don’t Pass Me By, do White Album de 1968), é uma canção alegre, que soa como uma música infantil. Ela foi inspirada em uma viagem familiar em Sardenha, no ano de 1968, em que o capitão da embarcação na qual o baterista se encontrava contou a ele como os polvos tinham o hábito de viajar no fundo do mar, buscando pedras e objetos brilhantes para construir jardins.

Harrisson, que ajudou Starr a fazer a música, comentou que a música é tão pacífica que parecia que Ringo estava compondo músicas cósmicas sem nem se dar conta disso.

I Want You (She’s So Heavy)

A segunda música de Lennon no disco, “I Want You (She’s So Heavy)” é minimalista em termos de letras, porém pouco usual com relação à estrutura e duração. De certa forma, ela lembra um pouco “Happiness is a Warm Gun”, do “White Album”, que também é uma mescla de trechos de músicas.

O trecho “I Want You” tem uma estrutura de blues, com os vocais dobrados com a guitarra, com as transições entre os chorus feitas com licks marcantes de baixo e órgão. As partes de “She’s So Heavy” tem um clima mais misterioso e pesado, com um riff de guitarra se repetindo, enquanto outros instrumentos e sons como um órgão moog em um dos segmentos e chiados em outro tecem uma cama sonora no fundo, acompanhados pela brilhante cozinha de Paul e Ringo.

No livro “The Beatles: A história por trás de todas as canções”, de Steve Turner, é mencionado que essa canção pouco convencional é uma declaração de amor de Lennon para Yoko Ono. Declaração esta que encerra o lado A do disco e também o trabalho dos Beatles como um conjunto (essa foi, cronologicamente, a última canção mixada por todo o grupo).

E aqui termino abruptamente, assim como a última canção mencionada, os comentários a respeito do lado A do “Abbey Road”. Em breve pretendo complementar este post com novas informações e escrever um novo a respeito do lado B.

Fontes:

Site da Revista Time: http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,842611,00.html#ixzz1RwGq4WhB

Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Abbey_Road (e páginas relacionadas)

RUSSELL, Jeff. “The Beatles: Gravações Comentadas & Discografia Completa”, 2005.

TURNER, Steve. “The Beatles: A história por trás de todas as canções”, 2009.

Hello world!

Conveniente o fato do WordPress já criar automaticamente um post com o título adequado para iniciar o blog.

 

Pois bem, para introduzir este blog rapidamente, gostaria de mencionar seus objetivos principais. São eles:

1. Organizar e expor ideias, opiniões, acontecimentos e inutilidades diversas

2. Ajudar a diferenciar um dia do outro

 

Como assim diferenciar um dia do outro? Há algum tempo atrás, costumava ouvir falar que a partir de certo momento de nossas vidas, tudo começa a ficar mais ou menos igual e passamos a ter uma percepção completamente diferente do tempo, que se esvai cada vez mais rapidamente. Nunca me dei conta disso por mim mesmo, até eu acordar um dia e notar que estou trabalhando há uns três anos e que já sou formado na faculdade.

Se eu parar para comparar o momento em que ouvi isso pela primeira vez e hoje, consigo ver claramente que houve uma mudança significativa. Mas e esse meio tempo? Podemos lembrar de alguns fatos isolados, mas no fundo, parece que todo esse tempo é uma massa disforme, em que os dias são quase todos iguais. As ideias se perdem, as memórias vão ficando nebulosas e perdemos a chance de ter contato com alguns detalhes do passado.

Como deve ter dado para notar, esse blog, assim como muitos outros por aí, é de certa forma egoísta. Apesar disso, não é a proposta daqui ficar fazendo desabafos e comentando minha vida pessoal. Se pessoalmente é um porre aguentar esse tipo de discurso, pela Internet então…

Os assuntos em geral que serão abordados aqui provavelmente variarão bastante. É difícil precisar o que pode vir a ser comentado nesse espaço. Espero que pelo menos algo do que eu colocarei aqui sirva de alguma maneira para você.

Enfim, bem vindos ao meu blog!