Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe

Essa obra de Goethe, publicada em 1774, é uma das mais famosas do movimento Sturm und Drang (tempestade e ímpeto). Esse movimento pregava valores opostos ao do Iluminismo vigente no século XVIII, que prezava pelo racionalismo e pela ciência. Portanto, os seguidores do Sturm und Drang frequentemente exaltavam as emoções e os sentimentos individuais, bem como a natureza.

São exatamente esses os principais elementos encontrados em “Os Sofrimentos do Jovem Werther”. Esse romance epistolar, isto é, escrito em formato de cartas, conta com um protagonista que constantemente ressalta as belezas da natureza e que demonstra suas emoções de maneira extremamente intensa, principalmente aquelas causadas pela sua paixão por Lotte, moça comprometida por quem o jovem Werther se apaixona.

A estrutura do romance é bastante singular. As cartas e notas que o compõem são somente as escritas por Werther, ou seja, não é mostrada nenhuma das respostas a elas, o que leva o leitor a apenas imaginar como é Wilhelm, o amigo do protagonista a quem é direcionada a maioria das cartas. Próximo ao final do romance, surge um narrador neutro que faz o papel de editor da compilação dos últimos escritos de Werther, contando o que se sucedeu entre uma carta e outra, bem como o desfecho da história.

Como de costume, antes de discutirmos os assuntos que são abordados no romance, segue um pequeno resumo dos acontecimentos:

Atenção! Spoilers abaixo!

Nas primeiras cartas, o protagonista relata ao amigo suas impressões sobre o vilarejo em que decidiu ir morar, em busca de tranquilidade. Conta sobre a belíssima paisagem e sobre suas relações amistosas com os moradores, especialmente as crianças.

Em seguida, o informa a respeito de seu encontro com Lotte, de seu fascínio por ela e da relação de amizade que logo se estabeleceu entre os dois. Logo que a conheceu, num baile, Werther fora alertado quanto ao noivado da moça com outro homem, chamado Albert, porém esse conhecimento não o impediu de se apaixonar desesperadamente por ela.

Após conviver com o casal por algum tempo, com o objetivo de esquecê-los, Werther decide se mudar e ir trabalhar com um embaixador, pessoa a quem o jovem não nutria muita estima. Apesar do descontentamento com seu empregador, o protagonista permanece trabalhando até que, por acaso, acaba visitando um colega seu em um dia de encontro da alta sociedade. Na ocasião, Werther é humilhado e desprezado a tal ponto que acaba decidindo por retornar ao vilarejo em que Lotte e Albert residiam.

No seu retorno, recebe a notícia de que os dois acabaram se casando. Ele continua visitando o casal por mais algum tempo, sofrendo incessantemente. Após uma última visita, em que Albert estava ausente, Werther declama alguns versos do canto de Ossian e acaba por impetuosamente beijar a moça.

Após algum tempo de planejamento, Werther pede emprestado as pistolas de Albert, sob o pretexto de levá-las em uma viagem, e, à meia noite, comete suicídio. Agoniza por 12 horas e finalmente expira. As palavras finais do romance contam como foi seu enterro: “O velho [magistrado, pai de Lotte] e os filhos acompanharam o cortejo; Albert, porém, não teve forças para fazê-lo. Chegou-se a temer pela vida de Lotte. Alguns trabalhadores levaram o caixão. Nenhum sacerdote o acompanhou”.

Costumes e ambientação social

Como talvez a grande parte dos romances, Os Sofrimentos do Jovem Werther retrata, ainda que de maneira secundária, os costumes da época em que fora escrito e, possivelmente, a impressão do autor a respeito da sociedade daquela época.

O protagonista aparentava estar em uma posição socioeconômica confortável. Ele possuía um empregado, em várias ocasiões oferecia moedas para as pessoas menos abastadas, e ainda assim podia optar por não trabalhar. As pessoas de posição similar com quem ele convivia compartilhavam de seu gosto pela música, dança e pela literatura, como é possível observar pela relação dele com Lotte, a quem conhecera em um baile organizado por jovens da região em que Werther residia.

Apesar de sua posição, Werther também convivia com as pessoas mais simples e as tratava com dignidade. Em várias oportunidades, conversava com as pessoas do vilarejo e fazia amizades com eles. Segundo o que é sugerido pelo romance, essas pessoas trabalhavam no campo e levavam uma vida simples e prática. O jovem recolheu algumas histórias do convívio com essas pessoas, que representam como a força dos sentimentos podem abalar a qualquer um, independente de sua posição social.

Ao contrário de seu tratamento com os habitantes do vilarejo, Werther é vítima de preconceito pelas pessoas da alta sociedade, a quem já sentia um certo desprezo antes do incidente na casa do conde, que acabou motivando sua demissão voluntária do trabalho com o embaixador. Alguns trechos que ilustram esse sentimento:

“E a miséria exemplar, o tédio que reina entre a gente estúpida que se vê por aqui! E a mania da posição social: espiam-se mutuamente, apenas para encontrar uma oportunidade de passar a perna um no outro. (…)

(…)

O que mais me aborrece é a inexorável condição burguesa. Sei, tão bem quanto os outros, como a diferença entre classes é necessária, e quantas vantagens me proporciona: mas gostaria que ela não viesse a fechar meu caminho, no momento em que poderia ainda gozar neste mundo um pouco de alegria, um átimo de felicidade.” (pp. 84, 85)

Além desses trechos, a própria carta em que ele relata ao amigo os acontecimentos na casa do conde apresenta o desdém que ele sente por essas pessoas, por quem é discriminado e ignorado. Esse sentimento é aguçado quando Werther ouve da senhorita de B…, com quem possuía certa amizade, o relato das difamações que ele sofreu pelas pessoas da alta sociedade.

Durante a época em que trabalhou para o embaixador, além de suas impressões relatadas anteriormente, Werther também apresenta sua visão negativa quanto aos seus colegas de trabalho:

“Que gente é essa, criaturas cujas almas são absorvidas pelas formalidades; cujos interesses e esforços, durante anos inteiros, estão exclusivamente voltados em tentar conseguir a cadeira mais próxima da cabeceira da mesa da recepção! Não que lhes falte o que fazer: até, pelo contrário, os trabalhos se acumulam, porque as pequenas trocas de farpas, nas lutas por promoções, acabam dificultando a realização de negócios importantes.” (p. 86)

Esses são os principais grupos de pessoas com quem o protagonista convive. Em alguns trechos, como os mencionados anteriormente, são apresentadas algumas críticas, que são inseridas livremente ao longo do texto, facilitadas principalmente pela liberdade que o formato epistolar proporciona.

Na realidade, é possível observar que essas impressões não são centrais no romance, mas apenas um recurso auxiliar para a ambientação do romance e construção do personagem de Werther, esse sim, o grande foco da obra.

Representantes dos ideais do Sturm und Drang

O personagem de Werther representa claramente os ideais do Sturm und Drang. Suas ações e pensamentos são normalmente carregados de sentimentos e exprimidos de maneira apaixonada.

Um exemplo é a passagem em que ele expõe os males do mau humor, na viagem em que acompanha Lotte, que iria cuidar de uma pessoa doente. Na ocasião, chega a verter lágrimas, tamanha a comoção diante de sua própria argumentação.

Werther era também um declarado amante da natureza. Além das inúmeras descrições das belezas do local em que passou a residir, uma passagem que denota essa sua estima pela natureza é aquela em que ele toma conhecimento da derrubada das nogueiras da casa de um pastor, comandada pela esposa dele e autorizada pelo governo. Sua reação ante o caso é de extrema indignação. No parágrafo final da carta em que relata esse fato, ainda faz um comentário irônico quanto ao descaso das autoridades pela natureza:

“Ah! Foram abatidas! Se eu fosse príncipe, pegaria a mulher do pastor, o pastor, o prefeito, a Câmara Municipal e… Ora! Se eu fosse príncipe, que importância daria às árvores de meu país?’ (p.109)

Além dos exemplos mencionados anteriormente, é impossível deixar de notar as inúmeras declarações que ele faz a Lotte ao longo do romance, bem como as observações quanto às suas emoções e sofrimentos.

Uma das passagens que se destacam nesse sentido é aquela em que Werther chega ao ponto de invejar o estado de loucura de um dos personagens que figuram no romance: o ex-escrevente do pai de Lotte, que acabou se apaixonando por ela e, após se declarar, foi demitido e enlouqueceu. Segundo a visão de Werther, o estado insensato de alegria em que o ex-escrevente se encontrava era preferível à falta de perspectiva que via em seu próprio caso. Após essa reflexão, novamente cogita o suicídio como solução para seus sofrimentos.

Além das figuras de Werther e do ex-escrevente, um outro personagem se destaca como um representante da intensidade das emoções do Romantismo. Esse é o jovem camponês que estava apaixonado por uma viúva para quem trabalhava. O primeiro encontro entre ele e Werther ocorreu pouco antes do protagonista conhecer Lotte. Na ocasião, ele se mostra impressionado pela descrição que o camponês fez de sua amada e inclusive sente em si próprio a força dessa paixão. Logo em seguida, ainda descreve a idealização típica do Romantismo:

“(…) Não me censure se confesso que, à lembrança dessa inocência e dessa candura, queima-me um secreto ardor; a imagem dessa fidelidade e dessa ternura me persegue por toda parte; e eu, ardendo, por assim dizer, nesse mesmo fogo, sinto-me carente e consumido.

Farei o possível para vê-la quanto antes, ou, pensando bem melhor, devo evitá-la. É preferível vê-la pelos olhos de seu apaixonado: talvez os meus não a vejam tal como ela agora se apresenta em minha mente. Por que, então, macular tão bela imagem?” (p.27)

No segundo encontro, Werther descobre que a paixão crescente do camponês pela viúva o levou a tentar possuí-la à força e que, com isso, acabou sendo demitido. Descobre também que o rapaz que substituiu o camponês também se apaixonou por ela, porém teve seus sentimentos correspondidos.

No último encontro, Werther se depara com o camponês logo após ele assassinar o seu substituto. Sentindo na pele a sensação que afligia seu amigo, o protagonista tenta salvá-lo da punição, argumentando a seu favor ao magistrado que julgaria o caso, porém sem resultado.

O mais interessante da inclusão dessa pequena parábola no romance é a possibilidade que ela gera de Werther analisar uma situação similar à sua, sob uma perspectiva “parcialmente externa”. Digo isso pois ele acabava misturando o caso de seu amigo com o seu próprio. Isto é, ao defender o camponês, ele defendia a si mesmo, outra vítima da intensidade dos próprios sentimentos. Ao receber a resposta do magistrado de que não seria possível evitar ou aliviar a condenação, ele próprio acabou se sentindo condenado e, a partir de então, passou a trilhar com maior convicção à sua ação derradeira.

Paixão x Razão – A relação entre Werther e Albert

O contraponto de Werther surge no romance através da figura de Albert. Ele, ao contrário do protagonista, é um homem calmo, prático, ponderado, dedicado ao trabalho e extremamente racional. Apesar das diferenças, ambos se estimavam mutuamente. Com o tempo e o crescente interesse de Werther por Lotte, a relação entre os rapazes começou a ficar gradualmente distante, ao ponto de Albert evitar ficar perto de Lotte quando eram visitados por Werther.

O primeiro momento em que as ideias dos dois entram em choque é na discussão acerca do suicídio. Albert o considera um ato de covardia e insensatez, ao passo que Werther defende que o suicídio é uma saída viável para as doenças irremediáveis da alma. Pela argumentação apresentada no diálogo, fica evidente a dicotomia na forma de pensar dos dois: um é guiado pela paixão e o outro pela razão.

Outro momento em que eles entram em desacordo é quando Werther defende o camponês que cometeu o assassinato por paixão. Nesse caso, o magistrado, ao repreender o protagonista por defender um assassino, independente da situação que o levou a tal, é apoiado por Albert.

O papel de Albert no romance é o de um antagonista, no sentido em que seus ideais são opostos aos de Werther e considerando que ele possui o amor da pessoa por quem o protagonista tanto sofre. Suas ações, no entanto, não são moralmente questionáveis ou prejudiciais a ninguém. Sob esse ponto de vista, Werther surge como inimigo de si próprio e como o principal responsável pelos distúrbios causados a seu redor, mais uma vez destacando o pensamento individual e a força dos sentimentos, tão explorados pelo romance.

As referências às obras de Homero e aos cantos de Ossian (James Macpherson)

Dois grandes autores recebem destaque nessa obra. O primeiro é Homero, autor favorito de Werther, que em diversas ocasiões é mencionado ao longo do romance. O segundo é Ossian, que tem um trecho de sua obra transcrito no clímax do romance.

Homero é um poeta grego que, supostamente, viveu aproximadamente entre os séculos 7 e 8 aC. Ele é tido como o autor dos poemas épicos Ilíada, que conta a história da Guerra de Tróia, e Odisséia, que conta o retorno de Odisseu/Ulisses a Ítaca. Ambas as obras são consideradas as mais antigas da literatura ocidental e são essenciais na mitologia grega.

Ossian é um poeta fictício irlandês, cujas obras foram, na realidade, escritas pelo poeta escocês James Macpherson e publicadas em meados de 1760. Os cantos que compões suas obras são baseadas em lendas da mitologia irlandesa. No trecho transcrito em Os Sofrimentos do Jovem Werther, são contadas as tragédias de alguns dos heróis. Sentindo intensamente as emoções transmitidas pelos cantos, no clímax do romance, o protagonista acaba finalmente beijando Lotte. Ela, num misto de amor e ira, acaba tremulamente afastando o jovem e cortando suas relações com ele.

O suicídio de Werther

Finalmente, após os sofrimentos do protagonista e de suas reflexões a respeito de como poderia sair daquela situação, Werther enfim encontra a solução de seus problemas na própria morte.

Ele havia considerado algumas outras saídas antes de tomar sua decisão final. A primeira foi tentar deixar Lotte, ao ir trabalhar com o embaixador. Após essa alternativa falhar, a restante consistia em eliminar um dos pontos do triângulo amoroso em que estava envolvido. Porém, por sua incapacidade de assassinar outra pessoa, acabou tomando a única alternativa restante.

Desde muito antes de efetivamente tomar sua decisão, Werther já considerava essa alternativa como uma das saídas para seu problema. As principais passagens que evidenciam isso são: a em que ele discute sobre o suicídio com Albert e a em que conhece o ex-escrivão do pai de Lotte, e em que logo após se pergunta se Deus ficaria ofendido caso um filho seu voltasse para junto Dele antes do esperado.

A ação final de Werther ilustra muito bem a visão de Arthur Schopenhauer, filósofo alemão do século XIX, sobre o suicídio (trecho transcrito a seguir). Com isso, mais uma vez, é possível observar como a literatura, ou mesmo as artes em geral, são uma importante janela para a compreensão do comportamento humano.

“Muito longe de ser uma negação da Vontade, o suicídio é uma marca de afirmação intensa da Vontade, visto que a negação da Vontade consiste, não em ter horror aos males da vida, mas em detestar–lhe os prazeres. Aquele que se mata queria viver; está apenas descontente com as condições em que a vida lhe coube. Por conseguinte, destruindo o seu corpo, não é ao querer–viver, é simplesmente à vida, que ele renuncia. Ele queria a vida, que a Vontade existisse e se afirmasse sem obstáculos,mas as conjunturas presentes não lho permitem e ele sente com isso uma grande dor.” (SCHOPENHAUER, A. O Mundo comoVontade e Representação, IV, § 69) – Fonte

Obs: Acabei encontrando esse trecho por acaso na internet, há alguns anos, enquanto fazia uma pesquisa para o colégio. Ainda não tive a oportunidade de ler essa obra por completo, mas pretendo fazê-lo futuramente.

Obs2: Li a edição publicada em 2010 pela Editora Abril, traduzida por Leonardo César Lack.

O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë (e comentários soltos sobre a canção de Kate Bush)

Para pessoas que não vivem em países de língua inglesa, talvez a relação entre O Morro dos Ventos Uivantes e Kate Bush não seja tão evidente. Portanto, vou começar esse post ligando esses pontos:

Kate Bush é uma cantora/compositora inglesa que fez muito sucesso entre o final dos anos 70 e os anos 80. Seu álbum de estréia, The Kick Inside (1978), contém, dentre algumas ótimas canções, o seu maior sucesso, Wuthering Heights.

O Morro dos Ventos Uivantes é um livro escrito por Emily Brontë entre 1845 e 1847 e publicado em 1847. Seu título original é… Wuthering Heights.

Wuthering Heights

Agora que a relação está clara, posso enfim admitir que comecei a ler esse livro por causa da canção homônima de Kate Bush. Estava tão impressionado com suas músicas e com seu estilo inconfundível que precisava ler esse livro que indiretamente inspirou Kate a compor seu maior sucesso. “Indiretamente” pois o que efetivamente a inspirou a compor a canção foi uma adaptação do livro para o cinema, lançada em 1970, fato este que só vim a descobrir após ler o artigo da Wikipedia sobre a música.

Apesar da curiosidade, não comecei a ler o livro imediatamente. Na realidade, fiquei um pouco receoso antes de lê-lo, pois esperava que sua história fosse excessivamente sentimental, como a letra da canção sugere. E foi justamente esse leve preconceito que contribuiu imensamente para que eu ficasse atônito no meio do romance.

Ao contrário do que imaginava, as ações das personagens do livro são, em sua grande maioria, violentas ou moralmente questionáveis. A história de amor, com leve toque sobrenatural, mencionada na letra da música de Kate, é um mero detalhe no meio do restante dos acontecimentos.

O romance conta a história de duas famílias: Earnshaw e Linton, da relação entre as duas e do distúrbio causado por Heathcliff, que, quando criança, foi adotado pelo patriarca da primeira família.

A estrutura do romance é bastante complexa, com algumas indas e vindas no tempo e narrativas intercaladas. Essa característica decorre, principalmente, da existência de três narradores. O primeiro é o Sr. Lockwood, que aluga Thrushcross Grange em busca de tranquilidade e conhece Wuthering Heights após o estrago causado por Heathcliff. Buscando entender a situação, Lockwood conversa com Ellen Dean, que foi empregada tanto dos Linton quanto dos Earnshaw. Ela conta a maior parte da história, citando em algumas partes o que uma outra personagem (cujo nome não revelarei para evitar estragar a surpresa) havia lhe contado.

Na minha opinião, a leitura desse livro já compensa apenas pela originalidade em sua estrutura, mas o enredo e a ambientação também são muito envolventes. Vou descrever alguns dos outros pontos que achei mais interessantes no livro, mas antes disso…

 

Atenção!!! Spoilers abaixo! Caso pretenda ler o livro e queira manter a surpresa, sugiro que pare a leitura deste post por aqui. Caso contrário, sinta-se à vontade para prosseguir!

 

Pois bem, antes de começar os comentários sobre o livro, vamos relembrar um pouco da história: Em resumo, Heathcliff se apaixona por Catherine, sua irmã de criação, e, após ser maltratado por seu irmão de criação, Hindley, e por erroneamente pensar que Catherine não o estima, acaba fugindo de casa, voltando anos depois para se vingar. Durante essa vingança, Heathcliff manipula e maltrata todos ao seu redor, tornando a situação terrível em Wuthering Heights (a residência da família Earnshaw) e Thrushcross Grange (a residência da família Linton).

Além da história principal, alguns outros elementos e personagens também são dignos de destaque, como Hareton Earnshaw, filho de Hindley, que, por omissão em sua educação, acaba agindo quase que como um selvagem. Outro destaque é a relação de amor/manipulação entre o frágil Linton Heathcliff e Catherine Linton.

Um dos temas principais observados nesse romance é a influência do patriarca sobre a família, representado, de maneiras diferentes, pelas figuras do Sr Earnshaw, Hindley e Heathcliff em Wuthering Heights. Percebe-se que toda a casa é diretamente afetada pela personalidade e pelas vontades do patriarca.

A questão do preconceito e da superação é abordada através de dois personagens: Heathcliff e Hareton. O primeiro é tido pelos Linton como indigno para conviver com seus filhos ou Catherine por aparentar não ter modos o bastante. Esse foi um dos motivadores que o levaram a deixar Wuthering Heights para obter formação e dinheiro e promover sua vingança geral. No caso de Hareton, ele é rejeitado por Catherine Linton por ser um bruto. Ao notar isso, ele busca se aperfeiçoar para poder ser digno da companhia da senhorita.

Outro ponto abordado no romance, ainda que de maneira pouco aprofundada, é o sobrenatural. Isso é representado pela cena em que Lockwood, em uma de suas visitas a Wuthering Heights, vê o fantasma de Catherine, que tenta entrar na casa através da janela. Inclusive, essa é uma das cenas citadas na canção de Kate Bush.

É possível notar também uma polarização entre Wuthering Heights e Thrushcross Grange. O primeiro local é um morro isolado e sombrio, frio, enquanto o segundo é mais acolhedor e abriga uma família mais fina e educada. Após muitos conflitos e resultados negativos causados pela influência dos patriarcas, no final do romance é finda essa polarização, fato que é apresentado com uma visão otimista a respeito do poder de integração da educação e da igualdade sexual e social.

Enfim, após ler esse livro, a primeira frase que me veio à cabeça foi: “Obrigado Kate Bush!”